sexta-feira, 17 de julho de 2009

sal
quase, num fio de uma calmaria,
pude todo o pesar repousar enfim.
na minha boca cansada, quieta,
a lembrança de todas as frases maravilhosas
deixaram-se ficar. tal qual a mim.
em meus todos anos, meus toscos augustos anjos
protegeram-me do inferno da dor explosiva,
dos versos mal planejados, da angústia mais infinita.
por isso, nas tantas crases imprevistas e precisas,
os amores (ou as uniões com dores) não vivi.
hoje, tudo o que me pareceu som e vida, é silêncio.
porque refuga-se de mim o meu ar e porque perdi
o sal das palavras quando eu era a inocência.

domingo, 12 de julho de 2009

Ps.: saudade
Escrevi um poeminha
sobre a eternidade
nele, amor, continha
toda a simplicidade.
Tentei melhorar
mas eu não tinha
onde encaixar
a tal saudade.
Tentei,
em desespero,
fingir que explodiria
meu coração
com um relógio
numa bomba
de mentirinha.
Eis que só,
ai e mais ai de mim:
lembrei dum dicionário
calçando o pé
da minha capenga
escrivaninha.
Olhei. Abri. Folheei.
Achei o que eu queria.
Era um verso bem antigo
de quando eu mal escrevia.
Tava lá: A ETERNIDADE
(assim com letras grandes)
é uma coisa pequenininha
que coça, dói e aperta o peito
por todo amor de minha vidinha.