sábado, 28 de maio de 2011

Eos
Juntos, os minutos fazem horas, dias, milênios.
A constância, filha deste acontecimento,
viaja pelo infinito inventando tempo,
recriando vida e sol.
Um dia a sorte explodirá em cada grão
e este não será mais tempo, altura, largura.
A profundidade de tal acontecimento
trará apenas o silêncio
e a saudade do que um dia foi pó.

terça-feira, 24 de maio de 2011

  Fé

  Toda noite serve para dizer que existe o dia.
  A constância, a existência, a consciência e a consistência das coisas e dos seres, não são mais que ínfimas poeiras abrigadas nas constelações serenas.
  A morte é o sal.
  A vida é o sal.
  Mas sonhar e compreender é confinar o tempo nas caixas das ideias e das conquistas.
  É o iluminar o não.
  É o aquecer o senão.
  É o confirmar o então.
  O persistir é mais que verbo em passos.
  Rasa não é nenhuma dor.
  Reza, propositalmente, aqui uma pergunta: estamos sós?
  Resposta há, mas quem a quer além dos que são sós?

domingo, 1 de maio de 2011

Impasse
Posso me dizer que quando o pranto implora, logo o
sofregar de minhas mãos na aurora aquece minha
despejada face de solidão.
Querer adivinhar senãos, serenar pormenores migalhas
de pão.
Sem parágrafo sem rima sem sina sem palhaço
dizendo que em cima do traço descalça vai a bailarina.
folhas de uvas japonesas. regaços frios aos montes.
Treme o chão. é o dia findando é um dia sem céu. é o
pão recomposto, alimentando, alimentando tanto...