sábado, 12 de janeiro de 2013


razão

Abro a janela para pedir ao vento das mudanças
que seque todos os meus pensamentos amargos
e levante todas as folhas mortas como quem levanta as folhas mortas
não para deitar-me sobre as novas palavras ávidas por um som enfurecido
mas sim para eu poder tocar o chão frio e limpo de todas as purezas
com a minha face dura e suja e todos os silêncios que sobrem de mim.

Vejo a noite e, cada instante que meus olhos memorizam na retina
os brilhos eternos das estrelas que talvez nem mais existam,
ponho a passear pelas luzes as lembranças de tudo que me deixei viver
pelas coisas todas que o meu corpo se arrepende de ter doído e
pelas sombras que a minha alma carrega, como as tais parecidas
com as flores que deitei nas velhas frias inocências que ainda aninho.

As horas passam e os sons das vidas que gritam dentro de mim insistentes,
apenas para provar que vivem de mim e comem de mim meus pensamentos
mais singulares com estridência, fúria e rancor, fazem com que eu queira
me afundar nas entranhas de mais um chá muito quente, que me terá bem
antes de todas as lágrimas que eu não sei ainda que tenho para salgar.

Amanhece enfim, minha exaustão me sufoca.
Meu dia termina com a luz imersa na razão.
Não há mais o que brigar com as inocências desfraldadas pelo ar,
nem há como silenciar as dores revindas, nem as flores vivas que
corrompem todas as vontades das abelhas e do sol nesta manhã.