quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Soneto do despertar

Não queira me ver com cara de sono
É sonho que tenho nos desgrenhos dos cabelos
Meu rosto não lavado, que medo, que medo
Mesmo eu quando o vejo no espelho, abraço os desesperos

Tenha dó da calça torta, dos braços vacilantes,
do tropeço inevitável tenha pena e não ria
O meu humor ainda não está pras felicidades
Aliás, me observar cambaleante, é algo que eu não faria

Não me recite quando acordar, Descartes
Pois nessa hora, sequer conjuro palavra,
Para entender o que quer dizer "bom-dia!"

Desculpe se eu usar sua escova de dentes
Lá onde estará a minha terá só trinta
Eu só perceberei a errada depois da cara na água fria.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Um dia desses

Um dia desses quando eu quiser
As palavras secas serão ontem
Dois dias depois desse dia qualquer
Nascerei outro filho de alguém

Talvez Emer ou Fernando ou Carlos
Ou Vinícius para quem vier de longe
Buscar espaços onde estacionados
Os sonetos juntem-se em um e cante

Orvalho nenhum é nascido do Sol
Mas sem Sol seria alva neve
Broto eu surjo num chão espanhol
Este mundo lá não verá que me teve

Saudade da infeliz vontade que nó
Na garganta fez tumulto de emoções
E rastejou e implorou-me por dó
E fitou-me por não tornar-se sensações

A vontade é essa manhã que vem
De graça, tomar ar, água e sorvete
E passa passarinho que vento vem
Sob as asas que batem bem leve.