sábado, 24 de novembro de 2012


alma

sou lume de minha própria alma
sem riso sem dor sem nada
sem pena sem reminiscência

e fria da vida e esquecida
esquecida? que viva!
estou clara estou calma
e estou dentro de mim

eu sou aquela que é
pura pai mãe e filha
tá, sou procrastinação
do beijo de hoje da lua
no sol eu sou a mão

não tenho olhos
não tenho distância
nem vinho nem pão
nem chão em coisa alguma

mas da clara água eu bebo
a fé a pureza a essência
com a terra do meu tempo

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O tempo é o senhor da história. Cada começo, cada primeiro passo é uma escolha. as primeiras palavras, ditas quase sem querer, dão início às  descobertas, aos sentidos, aos ritmos e emoções. Somos únicos e um mundo em cada ser. Por todos os instantes que vivemos e compartilhamos nossa existência, entendemos que tudo é parte de tudo, que o vento que sopra e o ar que exala cada uma de todas as palavras que existem, sempre retornarão ao princípio, buscando cada vez mais novas origens e novos primeiros passos.

sábado, 6 de outubro de 2012


Nada é permanente neste mundo

Nada é permanente
mesmo a história passa
o antes na vontade adormecida
a sombra sobre a luz amarelada
vida é sinônimo de instante
quase pausa num tempo de finitudes eternas
vivem o céu e as urgências
com a mesma água
no mesmo escuro

nada é permanente
nem mesmo o frio
se vestindo de riso enrigece mais e mais
nem mesmo os gritos
transpirando perfumes regressam à alma
só lágrimas, observo, persistem
tristes, choram felizes.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012


Mão fria

Eu vou flertando com a vida
sem encontrar em meu desespero
a minha despedida
sem almejar destemperos nem romper com a rima
brigando com o amor num espaço quadrado
que dá pra um horizonte hostil
Já não tenho mais o medo
do medo que mais deveria haver
pois eu trago em meus braços finos
meu pequeno e hesitante ser frio e só
Não sei da angústia não sei do pão
do calor nos tecidos não sei se sinto a mão que sei nua
Grato não sou pela seriedade de agora
Uma sobriedade, talvez, mais me fizesse bem
Talvez ela infinitamente doce
tão que a amarga e grande mágoa deslumbrante
em vermelho magma se derretesse em fontes
despudoradamente inebriantes
e constantes como a calma dos pequenos sonos vazios

sábado, 2 de junho de 2012

moral

a moral e o amoral é amor,
é não amor.

eu queria estar morto
enterrado ao lado de Chopin
ouvindo sons das noites assobiadas
ouvindo as piadas e as corujas

eu amor
queria a moral das noites
queria as noites
queria os sons

eu amoral
ouvindo a morte
ouvindo as piadas
ouvindo os sons

eu moral
ao lado de Chopin
ao lado das noites
ao lado dos sons das corujas

eu não amor
ouvindo as noites de Chopin
ouvindo enterradas piadas
ouvindo assobiadas

é moral o amor,
é imoral e amoral.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Heart beating close to mine

How beating? Why?
If the closed eyes
don't look at the feeling
kidding into the sky.

How strong?
When did start these beats?
have they started today?
the clouds are painting smiles.

my heart beating
tell me the truth
are you really beating or are you
just repeating what you feel?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sobre um oito de dezembro

Hoje a noite eu vi uma perda
e ganhei um jantar
qual dor me incomoda?

Estou acostumado a perdas
mas não aos grandes presentes
qual dor me incomoda?

Depois do jantar e da perda
eu vi uma festa
com gente bonita e feliz.

Qual dor é a que conforta e que ensina
a viver e a que escreve a vida
na insônia inevitável que me olha agora?

Me permito dizer que entendo sobre o infinito
e sobre quando a última luz se apagará no céu,
mas expliquem-me sobre o jantar que ganhei,
sobre a perda que presenciei
e sobre a felicidade que vi.
Não digam-me nada a dizer.

sábado, 5 de novembro de 2011

sobre Instantes

Negarei todos os meus poemas
Borges negou-me Instantes
se foi piegas nas falsas vontades 
"piegas" rendeu-me penas

falsa foi a dor da descoberta
de qual beleza é feita a vida?
foi justa a maldade eterna
de comparar-se na despedida?

negarei todo o meu promíscuo amor
eu já não sabia se um dia isso existiu
pois esconderam a minha dolorida alma
na mais falsa velhice sem calor.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

resposta

o que as palavras falam ao silêncio
os ouvidos não ouvem.
o que os ouvidos ontem ouviram
as palavras hoje não ouvirão.
o que que há no tempo
que impede a eternidade de reter
estes sussurrares de instantes
que almejam beijar a imensidão?
ou o que fazem dos sons depois que deixam
de serem ideias e pensamentos?
o que tornam-se as palavras não ditas,
recolhidas que ficam em imersível emoção?
sabemos todos as tais respostas,
porque nelas vivemos,
mas apenas as ouviremos
quando delas todas a vida abrir mão.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

um pequeno guardador de rebanhos

eu sempre guardei rebanhos
quisera eu não guardar pudesse
minha alma é um desbravador
que deixa-se vagar em estrelas
silenciando cada não que houvesse

Não serei aqui caeiro
mais do que o meu implorar impusesse
tanto que aquele poema todo
em meu ilimitado mar coloquei
para que se liquidifizesse

Conhecer pra quê a essência do que se é
se o abrasar do conhecimento
inflige-nos ao dizer que não seremos
o pior do que nos vem com a angústia?

Mas minha tristeza é sossego
como um ruído de chocalhos