sábado, 5 de abril de 2014

a mim

a mim o coração te ama
a ti o coração não me leva
pr´onde o coração te inflama.

versos ruins, palavras feias
não importam se há máscaras.
há dizeres que escondem as falas.

amigos suspeitos de gostarem-se?
amigo gosta de amiga mais e se
a amiga permitisse-se?

para o blog azencoffee.blogspot.com.br
cartas de amor

perdi e rasguei muitas cartas de amor
não eram elas ridículas.tinham elas cor
de vontades nascidas nos campos
de certezas nascidas nos cantos

pois eis que eu não amava o amor
amava era as cartas que, quando da dor
sucumbiam-se ou fugiam
para as caixas no chão.

hoje tragado pelo cotidiano
soprando o vento dos dias e anos
olhei para o nada e vi no longe
um par de versos olhando para mim

olhei de volta palavras sem fim
desejando encontrar ali o sorrir
não mais para uma carta
não mais para algo com fim.

*para o blog azencofee

já era dia

fui beijado por seu seio esquerdo antes de acordado
(me lembro desse dia com uma vontade permanente)
deitado estava e ainda preguiçosamente calado
retribuí o beijo como quem o deseja para sempre

aconcheguei-me contemplando o som do outro silêncio
que me sorria provocando e tocando o meu peito
senti um calor ardendo sobre mim arfante
querendo o meu pensamento, querendo o meu instante.

fingi que protestei - já era dia! - e daí, você é meu bem!
vi que belisquei com minhas palavras a sua vontade atroz
libertei-me então do tempo e deixei que libertasse
meu coração inconsequente, pra ouvir a sua voz

*para o blog azencoffee
Como nossos olhos azuis

Esperava o dia levantar-me
esperava a tarde andar-me
esperava a noite calar-me
como vida que em mim vivia.
Hoje, em sono de recém desperto
amanheci na morada que eu tanto quis
e levantei-me para celebrar novas escolhas:
que é encontrar no amanhã um novo hoje
que é encontrar na alma o sonho que permiti.
Nova aurora vem, me recomeço
cada vez que o horizonte flerta-me
não existe tarde, não existe noite
não existo no ontem, enfim.
Eu, pequenino instante eterno,
incendeio meu coração no seio
da luz que apontaste para mim

 *para o blog azencoffee

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A chuva

A chuva chegou e não mais se vai
Veio de longe ela e de minha casa
agora ela não sai.
Nem a montanha, daqui não distante,
Segura esta chuva que agora cai.
Da minha janela os vidros escorrem
uma vontade maior que a minha
Tão grande é ela, que o céu de aquarela,
não responde ao sorriso do sol e se vai.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Feira da Consolação

Minhas emoções não são frutos de compota,
que conservo e consumo com o tempo.
Minhas emoções são frutos frescos e temporãos,
nascidos para serem consumidos no ato da frutificação.
Amanhã, o que eu não provei, se doce, se azedo,
serão descartes na feira da Consolação.
Para quem chegar e ver esse lixo, talvez entenda
- ali foi-se bom fruto, pena da perda - talvez não.
Com sorte, o que outrora alimento, sirva para adubação.

sábado, 22 de março de 2014

Fusão

Na fusão do silêncio com o tempo
explode a razão do momento.
Na fusão da raiva com o tempo
explode a mágoa sem comedimento.
Na fusão da alegria com o tempo
explode a saudade que vira vento.
A explosão é o conflito de desiguais
e é a energia da união dos semelhantes.
Viver toda ela só em instantes precisos
ou veremos dela apenas o que ecoa.
Palavras explodem na fusão com a emoção
levando junto o que era o agora e deixando
cicatriz no que eram eternidades.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

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como o amor pode ser
a água que molha o pó se
o barro que nasce disso não
é o corpo que se quer vivo?

entrega-te aos acontecimentos
da tua própria essência sem dó
para permitir as contradições
do medo sem o medo de ficar só
adentre-se em si mesmo e
antes de julgar-se, encontre-se
com seu mundo muitas vezes
e aí, só depois de conhecer-se,
completamente compreender-se,
permita-se escolher e ser.

terça-feira, 26 de março de 2013

Eu te amo ou traducere

A minha felicidade a toa
tentando bem mais que uma mão
no colo a visitar tua coxa.
Talvez você diga um não

para conhecer o outro lado.
Mostra qual sonho voa
insone, já é a noite que te amo
e preciso mudar de vida

não é como gozar tua delicadeza
nem te xingar na braveza
ou te beijar na tormenta

porque eu fico lá todo tempo louco
podia dizer que eram dores no peito
e como é que vou conviver com isso.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

flecha

Aquele instante magnífico
insano e estranho e frio
que troca toda consternação
pela exatidão das retas sem fim

de som firme e ríspido
que corta o tempo, vertendo o espaço
em algo menor que silêncio em lume
feito alma encontrando o amor

Podia, rima ingênua
saber crescer imensamente
ladear arte

como flecha que não se vê
até que pare no encontro intenso
das harmonias que se cabem.