pescador de palavras
notícias velhas de um temporal de chamas,
ouvidas no vento que as levou ao mar de nãos,
pelo pescador de águas claras foram entendidas
como sinal de virar o barco à velas, sem ilusão.
Tantos foram os senões que, pelo caminho,
subiram a bordo os pesos eternos dos sons
das palavras e imagens que não ajudavam
o pescador a encontrar o seu destino
-Só os eternos tem tempo - gritava ele
enquanto buscava o rumo da calmaria
ou encontrasse na aurora a vermelhidão
de todos os caminhos que a paz traria.
sábado, 28 de junho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Esperança
Quando eu encontrei a noite
ela, de sorriso sujo, foi irônica
almejava, disse, minha felicidade
na paz da sombra
ri e beijei sua boca
para viver um passado puro
cegando a minha alegria
refazendo-me de escuro
eu já estava mais que madrugada
notei, nenhuma nuvem enluarava
para expor o meu céu chuvoso
e raivoso sem nem fim ter
exausto de não mais querer
a penumbra que me era
andei até faltar meu ar
e desmaiei sobre a nostalgia
enquanto o silêncio cobria,
domava e serenava minha alma
senti a luz morna e terna
da manhã que se fazia.
Era o meu instante
O sal e a vida se encontraram enfim.
Havia beleza e havia a dor,
mas o tocar do sal no meu lábio inferior me encantava
e me dizia o que havia de belo, porque era a beleza que ali
importava.
O sal, como aqui bendigo, não era pequena pedra, era liquido.
Era partes-por-milhão de um infinito íntimo!
Era uma loucura abstrata sim e era o início.
Era o íntimo que começava com o gosto do sal.
O sal e a vida se encontraram enfim.
Havia beleza e havia a dor,
mas o tocar do sal no meu lábio inferior me encantava
e me dizia o que havia de belo, porque era a beleza que ali
importava.
O sal, como aqui bendigo, não era pequena pedra, era liquido.
Era partes-por-milhão de um infinito íntimo!
Era uma loucura abstrata sim e era o início.
Era o íntimo que começava com o gosto do sal.
terça-feira, 13 de maio de 2014
pra se gostar
sou musico de palavras sem som
eu uso os verbetes como tom
o silêncio é tanta coisa
que o jeito e só gostar de tudo
que só nasce pra ser bom
o beijo da menina tem um sol
de silêncio de uma alma em ré e dó
e o beijo é pra se gostar
do jeito de quem dança essa vida
com uma chama e pé no chão
a chuva está caindo em algodão
e a vida só se molha de emoção
e a chuva e pra se gostar
tem jeito de não se gostar?
me beija minha chuva o coração.
sou musico de palavras sem som
eu uso os verbetes como tom
o silêncio é tanta coisa
que o jeito e só gostar de tudo
que só nasce pra ser bom
o beijo da menina tem um sol
de silêncio de uma alma em ré e dó
e o beijo é pra se gostar
do jeito de quem dança essa vida
com uma chama e pé no chão
a chuva está caindo em algodão
e a vida só se molha de emoção
e a chuva e pra se gostar
tem jeito de não se gostar?
me beija minha chuva o coração.
domingo, 27 de abril de 2014
corolas
eu busco a leveza no amor profundo
guardado nas corolas de cada flor estão
em cada cor de cada pétala do mundo
rego certezas que alimentam até folhas no chão
e se a flor estiver em planta enraizada e madura
deixarei que os espinhos espetem minha mão
porque cada ferida será coisa tão pequena
que dor nenhuma me sangrará o coração.
eu busco a leveza no amor profundo
guardado nas corolas de cada flor estão
em cada cor de cada pétala do mundo
rego certezas que alimentam até folhas no chão
e se a flor estiver em planta enraizada e madura
deixarei que os espinhos espetem minha mão
porque cada ferida será coisa tão pequena
que dor nenhuma me sangrará o coração.
sábado, 26 de abril de 2014
Amar vida
Amar com impossibilidades é como
fazer buscas por começos sem fins.
Teremos, se insistirmos nas buscas,
desconfortos, desdesejos,
desentendimentos e peitos feridos.
Faremos desamigos.
Os desencontros com a paz,
os desencantos com a paz e
os desrespeitos com a paz
despedaçarão orgulhos
até que alguma razão venha,
por prazer, nos oferecer vida.
Amar com impossibilidades é como
fazer buscas por começos sem fins.
Teremos, se insistirmos nas buscas,
desconfortos, desdesejos,
desentendimentos e peitos feridos.
Faremos desamigos.
Os desencontros com a paz,
os desencantos com a paz e
os desrespeitos com a paz
despedaçarão orgulhos
até que alguma razão venha,
por prazer, nos oferecer vida.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Na rua Augusta
Você não vai se lembrar de mim,
só lhe ofereci uma flor.
não pedi seu nome nem lhe dei o meu.
só ofereci uma flor.
mal deu-me sua voz de agradecer.
dei-te eu apenas voz de oferecer.
Ofereceu-me o espanto, o olhar de susto
enquanto lhe oferecia a flor.
por aquela sua angústia
que vi minutos antes
te ofereço a flor.
a tristeza, esta dolorida coisa
troca-se sempre por uma flor.
na despedida, no infortúnio
ou no fim do amor,
vou oferecer-te a flor.
Você não vai se lembrar de mim,
só lhe ofereci uma flor.
não pedi seu nome nem lhe dei o meu.
só ofereci uma flor.
mal deu-me sua voz de agradecer.
dei-te eu apenas voz de oferecer.
Ofereceu-me o espanto, o olhar de susto
enquanto lhe oferecia a flor.
por aquela sua angústia
que vi minutos antes
te ofereço a flor.
a tristeza, esta dolorida coisa
troca-se sempre por uma flor.
na despedida, no infortúnio
ou no fim do amor,
vou oferecer-te a flor.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Feira da Consolação
Minhas emoções não são frutos de compota,
que conservo e consumo com o tempo.
Minhas emoções são frutos frescos e temporãos,
nascidos para serem consumidos no ato da frutificação.
Amanhã, o que eu não provei, se doce, se azedo,
serão descartes na feira da Consolação.
Para quem chegar e ver esse lixo, talvez entenda
- ali foi-se bom fruto, pena da perda - talvez não.
Com sorte, o que outrora alimento, sirva para adubação.
Minhas emoções não são frutos de compota,
que conservo e consumo com o tempo.
Minhas emoções são frutos frescos e temporãos,
nascidos para serem consumidos no ato da frutificação.
Amanhã, o que eu não provei, se doce, se azedo,
serão descartes na feira da Consolação.
Para quem chegar e ver esse lixo, talvez entenda
- ali foi-se bom fruto, pena da perda - talvez não.
Com sorte, o que outrora alimento, sirva para adubação.
sábado, 5 de abril de 2014
Tic-tac
Pois é o tempo, aquele bendito,
que decide por nós quando desistimos.
Em nosso relógio dos momentos
as decisões não param,
nem as emoções se calam
ou param a história.
Os olhos que não mais
veem o acontecido,
resolvem-se cedo
buscando a luz nova.
Mas deixa o próprio corpo
todo padecido com o mundo
que criou da breve memória.
A vida, que não resolve-se
com fuga ou com silêncio,
acaba-se, se não escrever
neste intervalo curto,
uma lágrima ou uma glória.
10/03/14 (azencoffee em 10-03-14)
Pois é o tempo, aquele bendito,
que decide por nós quando desistimos.
Em nosso relógio dos momentos
as decisões não param,
nem as emoções se calam
ou param a história.
Os olhos que não mais
veem o acontecido,
resolvem-se cedo
buscando a luz nova.
Mas deixa o próprio corpo
todo padecido com o mundo
que criou da breve memória.
A vida, que não resolve-se
com fuga ou com silêncio,
acaba-se, se não escrever
neste intervalo curto,
uma lágrima ou uma glória.
10/03/14 (azencoffee em 10-03-14)
Mulher - Detalhes
Os amores eternos são feitos de coisas pequenas
como universos particulares onde primeiro nasce
a luz, a escuridão, a rocha e a vida a dois
Não fossem os pequenos acontecimentos
seriam os grandes amores pequenos
ou big-bangs de acontecimentos dispersos
O tempo, que de nós é dono
oferece-se eterno e vazio
para o preenchermos
07-03-14 (azencoffee 07-03-14)