sábado, 26 de julho de 2014

cada palavra nova

cada pensamento esconde
outro que o completa
e o desmente e mente
em cada palavra nova,
cada amor incidente,
poente na alma.

cria do chão, a estrada
do não é o caminho
ambiguo para o nada
e cada palavra nova,
cada amor incidente
e poente na alma.

a verdade, esta
plantanda na negação,
inventa um não-demente
a cada palavra nova
e cada amor incidente
no poente, na alma.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Acaso

Eu em minha nova historia busco
encontrar risonhas e lampejantes prosas
e prazeres que falem aos olhares de lua,
na vermelhidão da rua onde se veja
ao acaso, um amanhecer.

Antes ouvirei de longe
trombetas e serenatas ruins,
julgamentos e dores puras,
recomeços e perseverações
nascidas no submundo.

Não me exaltarei à verdade,
é querer meu estar aqui
parado, observando o céu
da noite sem estrelas, que parte
sem sombras e sem despedida.

Percebo uma luz vindoura, nem sei
se é a minha dormida esperança,
que acorda para alguma lucidez
e brinca com o véu ruivo
e sorri sem acaso para aurora.

sábado, 28 de junho de 2014

pescador de palavras

notícias velhas de um temporal de chamas,
ouvidas no vento que as levou ao mar de nãos,
pelo pescador de águas claras foram entendidas
como sinal de virar o barco à velas, sem ilusão.

Tantos foram os senões que, pelo caminho,
subiram a bordo os pesos eternos dos sons
das palavras e imagens que não ajudavam
o pescador a encontrar o seu destino

-Só os eternos tem tempo - gritava ele
enquanto buscava o rumo da calmaria
ou encontrasse na aurora a vermelhidão
de todos os caminhos que a paz traria.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Esperança

Quando eu encontrei a noite
ela, de sorriso sujo, foi irônica
almejava, disse, minha felicidade
na paz da sombra

ri e beijei sua boca
para viver um passado puro
cegando a minha alegria
refazendo-me de escuro

eu já estava mais que madrugada
notei, nenhuma nuvem enluarava
para expor o meu céu chuvoso
e raivoso sem nem fim ter

exausto de não mais querer
a penumbra que me era
andei até faltar meu ar
e desmaiei sobre a nostalgia

enquanto o silêncio cobria,
domava e serenava minha alma
senti a luz morna e terna
da manhã que se fazia.
Era o meu instante
O sal e a vida se encontraram enfim.
Havia beleza e havia a dor,
mas o tocar do sal no meu lábio inferior me encantava
e me dizia o que havia de belo, porque era a beleza que ali

importava.
O sal, como aqui bendigo, não era pequena pedra, era liquido.
Era partes-por-milhão de um infinito íntimo!
Era uma loucura abstrata sim e era o início.
Era o íntimo que começava com o gosto do sal.

terça-feira, 13 de maio de 2014

pra se gostar

sou musico de palavras sem som
eu uso os verbetes como tom
o silêncio é tanta coisa
que o jeito e só gostar de tudo
que só nasce pra ser bom

o beijo da menina tem um sol
de silêncio de uma alma em ré e dó
e o beijo é pra se gostar
do jeito de quem dança essa vida
com uma chama e pé no chão

a chuva está caindo em algodão
e a vida só se molha de emoção
e a chuva e pra se gostar
tem jeito de não se gostar?
me beija minha chuva o coração.

domingo, 27 de abril de 2014

corolas

eu busco a leveza no amor profundo
guardado nas corolas de cada flor estão
em cada cor de cada pétala do mundo
rego certezas que alimentam até folhas no chão
e se a flor estiver em planta enraizada e madura
deixarei que os espinhos espetem minha mão
porque cada ferida será coisa tão pequena
que dor nenhuma me sangrará o coração.

sábado, 26 de abril de 2014

Amar vida

Amar com impossibilidades é como
fazer buscas por começos sem fins.
Teremos, se insistirmos nas buscas,
desconfortos, desdesejos,
desentendimentos e peitos feridos.
Faremos desamigos.
Os desencontros com a paz,
os desencantos com a paz e
os desrespeitos com a paz
despedaçarão orgulhos
até que alguma razão venha,
por prazer, nos oferecer vida.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Na rua Augusta

Você não vai se lembrar de mim,
só lhe ofereci uma flor.
não pedi seu nome nem lhe dei o meu.
só ofereci uma flor.
mal deu-me sua voz de agradecer.
dei-te eu apenas voz de oferecer.
Ofereceu-me o espanto, o olhar de susto
enquanto lhe oferecia a flor.
por aquela sua angústia
que vi minutos antes
te ofereço a flor.
a tristeza, esta dolorida coisa
troca-se sempre por uma flor.
na despedida, no infortúnio
ou no fim do amor,
vou oferecer-te a flor.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Feira da Consolação

Minhas emoções não são frutos de compota,
que conservo e consumo com o tempo.
Minhas emoções são frutos frescos e temporãos,
nascidos para serem consumidos no ato da frutificação.
Amanhã, o que eu não provei, se doce, se azedo,
serão descartes na feira da Consolação.
Para quem chegar e ver esse lixo, talvez entenda
- ali foi-se bom fruto, pena da perda - talvez não.
Com sorte, o que outrora alimento, sirva para adubação.