Eu – encontrar
Eu, que te amei,
Que te amava,
Que te amo.
Que te olhava como madrugada
E te despia os pés no silêncio morno.
Eu, que não fugi,
Busquei a sua palavra
Em sonho e sorri.
Acordei e ri.
Eu, que deslumbrei – me,
Era a luz que amanhecia?
E desejei – te. E desejei – te.
Eu, que te amei, não fugi,
Deslumbrei – me. Eu, o que queria:
Encontrar – me aqui.
sábado, 24 de janeiro de 2015
Amemos, pois!
O barco é nosso
O casco está furado
Porque o furo é nosso
Também há dois remos
São nossos estes dois remos
Há pressa pra não afundamos?
Se isso há , é nossa a pressa
Se mesmo com todo esforço
Nada mais tiver um jeito
O nada também é nosso.
Então nada mais, nada mais,
Os braços também são nossos.
O barco é nosso
O casco está furado
Porque o furo é nosso
Também há dois remos
São nossos estes dois remos
Há pressa pra não afundamos?
Se isso há , é nossa a pressa
Se mesmo com todo esforço
Nada mais tiver um jeito
O nada também é nosso.
Então nada mais, nada mais,
Os braços também são nossos.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Fim de ano
Neste ano que acaba
Festejei minha ausência
E beijei a indiferença
Que sorrindo me atormentava.
Neste ano que acaba
Festejei minha ausência
E beijei a indiferença
Que sorrindo me atormentava.
Neste ano que acaba
Os dias iniciaram chatos
As noites terminavam chatas
E a terapia, esta maltratava.
Neste ano que acaba
As verdades machucaram
E a maldade hibernada
Despertou de onde estava.
Neste ano que acaba
Conheci da vida o hiato
E flutuei num inferno-tempo
Pra nascer em novas águas.
Neste ano que acaba
Meus muitos agradecimentos
Às broncas, aos sorrisos tensos,
Aos abraços e silêncios que abraçaram.
Neste ano, o que acaba
É tudo que fazia-se infinito
E tudo o que era fantasia.
O ano que virá, será real e mais bonito.
Os dias iniciaram chatos
As noites terminavam chatas
E a terapia, esta maltratava.
Neste ano que acaba
As verdades machucaram
E a maldade hibernada
Despertou de onde estava.
Neste ano que acaba
Conheci da vida o hiato
E flutuei num inferno-tempo
Pra nascer em novas águas.
Neste ano que acaba
Meus muitos agradecimentos
Às broncas, aos sorrisos tensos,
Aos abraços e silêncios que abraçaram.
Neste ano, o que acaba
É tudo que fazia-se infinito
E tudo o que era fantasia.
O ano que virá, será real e mais bonito.
sábado, 20 de dezembro de 2014
Repensando
Ando repensando meu jeito de pensar.
Algo como "usar" um pensamento de cada vez,
pra ver se destumultua meu cérebro.
Minhas ideias, a despeito de tudo
são aglomerados sedentos para exibirem-se ao mundo
são arrastos de tsunami sem mar.
As redondilhas, tercetos, quartetos, não há.
Sonetos então... fervem minha tez.
Em algum lugar lá dentro há
um bagunçado inconsciente, gritando para aparecer.
Se cuspo o que sai de lá
Fodeu! Morri sem desejar.
Creio que um dia esse tumulto
Me há de apartar... pois cansa-me tanto divagar e falar
tudo ao mesmo tempo. Tudo, tudo.
Ando repensando meu jeito de pensar.
Algo como "usar" um pensamento de cada vez,
pra ver se destumultua meu cérebro.
Minhas ideias, a despeito de tudo
são aglomerados sedentos para exibirem-se ao mundo
são arrastos de tsunami sem mar.
As redondilhas, tercetos, quartetos, não há.
Sonetos então... fervem minha tez.
Em algum lugar lá dentro há
um bagunçado inconsciente, gritando para aparecer.
Se cuspo o que sai de lá
Fodeu! Morri sem desejar.
Creio que um dia esse tumulto
Me há de apartar... pois cansa-me tanto divagar e falar
tudo ao mesmo tempo. Tudo, tudo.
A construção do amor
Antes que o nada viesse
E contemplasse espaços pequenos,
Oferecidos à solidão que nasce,
Do lugar nenhum dos silêncios,
Universo algum existia.
No amor a fome é o alimento,
A perda, é tal luta tardia,
Para encontrar no outro o tempo.
Com vestes de poesia e brio,
Feito relento embrulhado em luar
O objeto de amor é algo vazio.
Ao sereno, à compreensão, ao ar,
Nega-se a compartilhar o frio,
Mas compartilha o silêncio menino
Pequeno e terno, que já foi um
Maior pedaço de instinto.
O amor constrói-se no nada algum
Sempre em pedra bruta surge
Cheia de partes sem fim,
Confiando, que nascido com vontade,
A vida o queira preenchido enfim.
Antes que o nada viesse
E contemplasse espaços pequenos,
Oferecidos à solidão que nasce,
Do lugar nenhum dos silêncios,
Universo algum existia.
No amor a fome é o alimento,
A perda, é tal luta tardia,
Para encontrar no outro o tempo.
Com vestes de poesia e brio,
Feito relento embrulhado em luar
O objeto de amor é algo vazio.
Ao sereno, à compreensão, ao ar,
Nega-se a compartilhar o frio,
Mas compartilha o silêncio menino
Pequeno e terno, que já foi um
Maior pedaço de instinto.
O amor constrói-se no nada algum
Sempre em pedra bruta surge
Cheia de partes sem fim,
Confiando, que nascido com vontade,
A vida o queira preenchido enfim.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Era
Boa era a vida distante da realidade
Os meus problemas pequeninos
Eu deixava pra saudade
Toda construção de meu conforto
Era feita de tijolos num chão de areia
Sempre que chovia eu a reconstruía.
Vez em quando, quando havia
Um sol lá pelo meio dia,
Eu abria as janelas para a vida
Entrava luz, entrava pó,
entravam cantos migratórios
E cores de poesia.
Vinha a chuva... eu deixava pra saudade
Certo dia observando os entulhos
Que ficavam ao relento
Percebi que daquilo eu era feito
Sentei-me no chão e me misturei
Às areias e ao vento.
Boa era a vida distante da realidade
Os meus problemas pequeninos
Eu deixava pra saudade
Toda construção de meu conforto
Era feita de tijolos num chão de areia
Sempre que chovia eu a reconstruía.
Vez em quando, quando havia
Um sol lá pelo meio dia,
Eu abria as janelas para a vida
Entrava luz, entrava pó,
entravam cantos migratórios
E cores de poesia.
Vinha a chuva... eu deixava pra saudade
Certo dia observando os entulhos
Que ficavam ao relento
Percebi que daquilo eu era feito
Sentei-me no chão e me misturei
Às areias e ao vento.
Os sentimentos do mundo
Olho para os lados
para entender melhor
os sentimentos do mundo
para entender melhor
os sentimentos do mundo
Encontro na dó pedintes
de centelhas, para corações
que buscam aquecer um sol
de centelhas, para corações
que buscam aquecer um sol
Na bela flor de pétalas pequenas
enxergo gotas de vidas serenas
onde bebem do amor as borboletas
enxergo gotas de vidas serenas
onde bebem do amor as borboletas
Vejo no rio que corre um espelho
do olhar perdido no compromisso
de percorrer seu próprio silêncio
do olhar perdido no compromisso
de percorrer seu próprio silêncio
Eis que pregam-me sustos
todos os ventos das saudades
em beijos longos pelas costas.
todos os ventos das saudades
em beijos longos pelas costas.
Ai, a espera!
Em caso de
Foi só olhar de perto
Que ela enrubesceu
Foi por acaso ou reflexo
Que roubei um beijo seu?
Que ela enrubesceu
Foi por acaso ou reflexo
Que roubei um beijo seu?
A minha vontade, sabia,
Era encontrar-te em uma travessa
De um pedaço de mundo
E pregar-te uma peça?
Era encontrar-te em uma travessa
De um pedaço de mundo
E pregar-te uma peça?
Por diversão ou por fantasia
Pintaste um beijo em minhas costas
Riu de mim e eu só dormia
Na hora dessa troça.
Pintaste um beijo em minhas costas
Riu de mim e eu só dormia
Na hora dessa troça.
Não sabemos quem começou
A brincar de amar a vida
Do modo como o sol
Nunca brilhe só de dia.
A brincar de amar a vida
Do modo como o sol
Nunca brilhe só de dia.