outro silêncio
minha mão quente no esfriar da noite
brinca de reger a serenata do silêncio.
não há som, nem sequer contratempo
sem ávida pausa e mesmo tom.
por estar só no movimento, a única nota
que revela-se infinitamente na partitura
sem prelúdio, sem apoteose, reverbera
uníssona, por entre invisíveis instrumentos.
repentinamente, em gesto preciso
alegra-se de sí mesma
e dança como luz de aurora nova
feito polca, feito valsa, feito samba.
perde-se, na sua sublime maestria,
por entre os tempos e as notas mas,
como em instante plácido e envolvente
ressoa mais e mais vezes o mesmo refrão.
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