quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Um dia desses

Um dia desses quando eu quiser
As palavras secas serão ontem
Dois dias depois desse dia qualquer
Nascerei outro filho de alguém

Talvez Emer ou Fernando ou Carlos
Ou Vinícius para quem vier de longe
Buscar espaços onde estacionados
Os sonetos juntem-se em um e cante

Orvalho nenhum é nascido do Sol
Mas sem Sol seria alva neve
Broto eu surjo num chão espanhol
Este mundo lá não verá que me teve

Saudade da infeliz vontade que nó
Na garganta fez tumulto de emoções
E rastejou e implorou-me por dó
E fitou-me por não tornar-se sensações

A vontade é essa manhã que vem
De graça, tomar ar, água e sorvete
E passa passarinho que vento vem
Sob as asas que batem bem leve.

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