Feira da Consolação
Minhas emoções não são frutos de compota,
que conservo e consumo com o tempo.
Minhas emoções são frutos frescos e temporãos,
nascidos para serem consumidos no ato da frutificação.
Amanhã, o que eu não provei, se doce, se azedo,
serão descartes na feira da Consolação.
Para quem chegar e ver esse lixo, talvez entenda
- ali foi-se bom fruto, pena da perda - talvez não.
Com sorte, o que outrora alimento, sirva para adubação.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
sábado, 22 de março de 2014
Fusão
Na fusão do silêncio com o tempo
explode a razão do momento.
Na fusão da raiva com o tempo
explode a mágoa sem comedimento.
Na fusão da alegria com o tempo
explode a saudade que vira vento.
A explosão é o conflito de desiguais
e é a energia da união dos semelhantes.
Viver toda ela só em instantes precisos
ou veremos dela apenas o que ecoa.
Palavras explodem na fusão com a emoção
levando junto o que era o agora e deixando
cicatriz no que eram eternidades.
Na fusão do silêncio com o tempo
explode a razão do momento.
Na fusão da raiva com o tempo
explode a mágoa sem comedimento.
Na fusão da alegria com o tempo
explode a saudade que vira vento.
A explosão é o conflito de desiguais
e é a energia da união dos semelhantes.
Viver toda ela só em instantes precisos
ou veremos dela apenas o que ecoa.
Palavras explodem na fusão com a emoção
levando junto o que era o agora e deixando
cicatriz no que eram eternidades.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
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como o amor pode ser
a água que molha o pó se
o barro que nasce disso não
é o corpo que se quer vivo?
entrega-te aos acontecimentos
da tua própria essência sem dó
para permitir as contradições
do medo sem o medo de ficar só
adentre-se em si mesmo e
antes de julgar-se, encontre-se
com seu mundo muitas vezes
e aí, só depois de conhecer-se,
completamente compreender-se,
permita-se escolher e ser.
como o amor pode ser
a água que molha o pó se
o barro que nasce disso não
é o corpo que se quer vivo?
entrega-te aos acontecimentos
da tua própria essência sem dó
para permitir as contradições
do medo sem o medo de ficar só
adentre-se em si mesmo e
antes de julgar-se, encontre-se
com seu mundo muitas vezes
e aí, só depois de conhecer-se,
completamente compreender-se,
permita-se escolher e ser.
terça-feira, 26 de março de 2013
Eu te amo ou traducere
A minha felicidade a toa
tentando bem mais que uma mão
no colo a visitar tua coxa.
Talvez você diga um não
para conhecer o outro lado.
Mostra qual sonho voa
insone, já é a noite que te amo
e preciso mudar de vida
não é como gozar tua delicadeza
nem te xingar na braveza
ou te beijar na tormenta
porque eu fico lá todo tempo louco
podia dizer que eram dores no peito
e como é que vou conviver com isso.
A minha felicidade a toa
tentando bem mais que uma mão
no colo a visitar tua coxa.
Talvez você diga um não
para conhecer o outro lado.
Mostra qual sonho voa
insone, já é a noite que te amo
e preciso mudar de vida
não é como gozar tua delicadeza
nem te xingar na braveza
ou te beijar na tormenta
porque eu fico lá todo tempo louco
podia dizer que eram dores no peito
e como é que vou conviver com isso.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
flecha
Aquele instante magnífico
insano e estranho e frio
que troca toda consternação
pela exatidão das retas sem fim
de som firme e ríspido
que corta o tempo, vertendo o espaço
em algo menor que silêncio em lume
feito alma encontrando o amor
Podia, rima ingênua
saber crescer imensamente
ladear arte
como flecha que não se vê
até que pare no encontro intenso
das harmonias que se cabem.
Aquele instante magnífico
insano e estranho e frio
que troca toda consternação
pela exatidão das retas sem fim
de som firme e ríspido
que corta o tempo, vertendo o espaço
em algo menor que silêncio em lume
feito alma encontrando o amor
Podia, rima ingênua
saber crescer imensamente
ladear arte
como flecha que não se vê
até que pare no encontro intenso
das harmonias que se cabem.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
outro silêncio
minha mão quente no esfriar da noite
brinca de reger a serenata do silêncio.
não há som, nem sequer contratempo
sem ávida pausa e mesmo tom.
por estar só no movimento, a única nota
que revela-se infinitamente na partitura
sem prelúdio, sem apoteose, reverbera
uníssona, por entre invisíveis instrumentos.
repentinamente, em gesto preciso
alegra-se de sí mesma
e dança como luz de aurora nova
feito polca, feito valsa, feito samba.
perde-se, na sua sublime maestria,
por entre os tempos e as notas mas,
como em instante plácido e envolvente
ressoa mais e mais vezes o mesmo refrão.
minha mão quente no esfriar da noite
brinca de reger a serenata do silêncio.
não há som, nem sequer contratempo
sem ávida pausa e mesmo tom.
por estar só no movimento, a única nota
que revela-se infinitamente na partitura
sem prelúdio, sem apoteose, reverbera
uníssona, por entre invisíveis instrumentos.
repentinamente, em gesto preciso
alegra-se de sí mesma
e dança como luz de aurora nova
feito polca, feito valsa, feito samba.
perde-se, na sua sublime maestria,
por entre os tempos e as notas mas,
como em instante plácido e envolvente
ressoa mais e mais vezes o mesmo refrão.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
jardim breve
na busca pela liberdade imensa,
pela vida imersa no comum amor
e pela felicidade inconstante,
o pó da mera harmonia
é levado de vento em flor.
por ser criado no peito da vida
e bebido de muita água caída,
que rega qualquer chão e dias,
embrevida-se, ele chega e vai
qual resto de fé. será, em seu
sonho, absorvido pela verdade
e pela umidade ao relar o chão.
sempre que se percebe
vivo, cria raizes novas
e novas constâncias enfim.
na busca pela liberdade imensa,
pela vida imersa no comum amor
e pela felicidade inconstante,
o pó da mera harmonia
é levado de vento em flor.
por ser criado no peito da vida
e bebido de muita água caída,
que rega qualquer chão e dias,
embrevida-se, ele chega e vai
qual resto de fé. será, em seu
sonho, absorvido pela verdade
e pela umidade ao relar o chão.
sempre que se percebe
vivo, cria raizes novas
e novas constâncias enfim.
sábado, 12 de janeiro de 2013
razão
Abro a janela para pedir ao vento das mudanças
que seque todos os meus pensamentos amargos
e levante todas as folhas mortas como quem levanta as folhas mortas
não para deitar-me sobre as novas palavras ávidas por um som enfurecido
mas sim para eu poder tocar o chão frio e limpo de todas as purezas
com a minha face dura e suja e todos os silêncios que sobrem de mim.
Vejo a noite e, cada instante que meus olhos memorizam na retina
os brilhos eternos das estrelas que talvez nem mais existam,
ponho a passear pelas luzes as lembranças de tudo que me deixei viver
pelas coisas todas que o meu corpo se arrepende de ter doído e
pelas sombras que a minha alma carrega, como as tais parecidas
com as flores que deitei nas velhas frias inocências que ainda aninho.
As horas passam e os sons das vidas que gritam dentro de mim insistentes,
apenas para provar que vivem de mim e comem de mim meus pensamentos
mais singulares com estridência, fúria e rancor, fazem com que eu queira
me afundar nas entranhas de mais um chá muito quente, que me terá bem
antes de todas as lágrimas que eu não sei ainda que tenho para salgar.
Amanhece enfim, minha exaustão me sufoca.
Meu dia termina com a luz imersa na razão.
Não há mais o que brigar com as inocências desfraldadas pelo ar,
nem há como silenciar as dores revindas, nem as flores vivas que
corrompem todas as vontades das abelhas e do sol nesta manhã.
sábado, 24 de novembro de 2012
alma
sou lume de minha própria alma
sem riso sem dor sem nada
sem pena sem reminiscência
e fria da vida e esquecida
esquecida? que viva!
estou clara estou calma
e estou dentro de mim
eu sou aquela que é
pura pai mãe e filha
tá, sou procrastinação
do beijo de hoje da lua
no sol eu sou a mão
não tenho olhos
não tenho distância
nem vinho nem pão
nem chão em coisa alguma
mas da clara água eu bebo
a fé a pureza a essência
com a terra do meu tempo
terça-feira, 13 de novembro de 2012
O tempo é o senhor da história. Cada começo, cada primeiro passo é uma escolha. as primeiras palavras, ditas quase sem querer, dão início às descobertas, aos sentidos, aos ritmos e emoções. Somos únicos e um mundo em cada ser. Por todos os instantes que vivemos e compartilhamos nossa existência, entendemos que tudo é parte de tudo, que o vento que sopra e o ar que exala cada uma de todas as palavras que existem, sempre retornarão ao princípio, buscando cada vez mais novas origens e novos primeiros passos.